Dia Nacional do Farmacêutico reúne gerações e projeta o futuro da profissão

O Palácio da Bolsa, no Porto, recebeu, a 26 de setembro, a celebração do Dia Nacional do Farmacêutico. Organizada pela Secção Regional do Norte da Ordem dos Farmacêuticos, a sessão reuniu diferentes gerações e áreas da profissão, num encontro marcado pelo reconhecimento de percursos, pela homenagem a figuras da Farmácia e pelo debate sobre os desafios que se colocam aos farmacêuticos.

Na abertura da cerimónia, Félix Carvalho, Presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Farmacêuticos, defendeu uma profissão capaz de preservar o seu legado, mas também de responder às transformações da saúde e às expectativas das novas gerações.

“Esta cerimónia é muito mais do que uma simples comemoração. É um verdadeiro momento de encontro da nossa profissão consigo própria, mas também de abertura e diálogo com a sociedade”, afirmou, sublinhando a importância de reunir, num mesmo momento, “a memória, o presente e o futuro da profissão farmacêutica”.

Mas a valorização da profissão, defendeu Félix Carvalho, tem de ir além do reconhecimento público. “Valorizar os farmacêuticos não é apenas dizer que são importantes. É criar condições para que possam exercer plenamente o que sabem fazer”, afirmou, referindo a necessidade de olhar para as carreiras, salários, horários, estabilidade, dimensão das equipas e oportunidades de progressão.

Uma questão que considerou particularmente relevante para as novas gerações. Portugal, salientou, forma profissionais altamente qualificados, mas precisa de lhes dar condições para desenvolverem o seu percurso no país: “Não podemos resignar-nos a formar talento e depois perder a capacidade de o aproveitar.”

A sessão de abertura contou igualmente com as intervenções de Helder Mota Filipe, Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, e Rui Santos Ivo, Presidente do INFARMED, em representação da Ministra da Saúde.

Para Helder Mota Filipe, o Dia Nacional do Farmacêutico é “um momento de celebração da nossa profissão e do contributo que milhares de farmacêuticos dão diariamente à saúde, à ciência e à sociedade portuguesa”, mas também uma oportunidade para refletir sobre “o que Portugal pode esperar de nós nos próximos anos”.

Dos 50 anos de profissão aos novos talentos

A ligação entre diferentes gerações ficou expressa em dois dos momentos da cerimónia: a homenagem aos farmacêuticos que completam 50 anos de profissão e a entrega dos Prémios Sociedade Farmacêutica Lusitana aos recém-licenciados que concluíram a formação com resultados de excelência.

Ao homenagear cinco décadas de exercício profissional, Félix Carvalho lembrou que “cinquenta anos não são apenas uma medida de tempo”, mas representam milhares de dias de trabalho, decisões, responsabilidade e serviço às pessoas. O Presidente da Secção Regional do Norte dirigiu também uma palavra de reconhecimento às famílias que acompanharam estes profissionais ao longo das suas carreiras.

Aos jovens distinguidos, deixou uma mensagem para o início do percurso: “Entrem nesta profissão com orgulho, mas também com inquietação.”

A inovação terapêutica, a digitalização e a inteligência artificial foram apontadas como algumas das transformações que as novas gerações irão encontrar numa profissão em rápida evolução.

Homenagem a quem marcou a profissão

A memória teve também um lugar central na sessão, com a homenagem a Francisco Carvalho Guerra, Fernando Aires Miranda e Miguel Silvestre, três farmacêuticos falecidos nos últimos meses.

Francisco Carvalho Guerra, primeiro Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, foi recordado pelo papel determinante na transformação do Sindicato Nacional dos Farmacêuticos em Ordem profissional.

Fernando Aires Miranda foi evocado pelo seu percurso enquanto Presidente da Secção Regional de Lisboa e do Conselho Jurisdicional Nacional, bem como pela ligação à Farmácia Motta, em Évora.

Miguel Silvestre, que presidiu ao Conselho Farmacêutico Nacional nos últimos dez anos, foi distinguido, a título póstumo, com a Medalha de Honra, entregue à família durante a cerimónia.

António Vitorino aborda cooperação internacional na saúde

A programação incluiu ainda a Conferência Magistral de António Vitorino, centrada nos desafios da cooperação internacional na saúde.

Na apresentação da conferência, Félix Carvalho salientou que questões como a resistência aos antimicrobianos, as alterações climáticas, as migrações, as desigualdades no acesso aos cuidados ou a disponibilidade de medicamentos ultrapassam as fronteiras nacionais.

A temática acompanha também o trabalho desenvolvido pela Ordem dos Farmacêuticos no plano internacional e a sua cooperação com os países africanos de língua portuguesa.

Bastonário aponta prioridades para a profissão

O futuro da intervenção farmacêutica assumiu particular relevância na mensagem do Bastonário.

Helder Mota Filipe defendeu que “2026 tem de ser o ano da implementação da intervenção farmacêutica em situações clínicas ligeiras” e apelou ao Ministério da Saúde para que sejam preparadas vagas que permitam integrar no SNS os primeiros especialistas formados através da Residência Farmacêutica.

O Bastonário anunciou ainda que as candidaturas ao novo Fundo de Apoio à Formação de Farmacêuticos Especialistas abrem a 1 de outubro e antecipou a realização, em maio, em Lisboa, do Congresso Nacional dos Farmacêuticos de 2027, cem anos depois do primeiro Congresso Nacional de Farmácia.

Rui Santos Ivo transmitiu, por sua vez, o reconhecimento da Ministra da Saúde aos farmacêuticos e anunciou que o INFARMED irá desenvolver, em conjunto com a Ordem dos Farmacêuticos, um trabalho para reforçar a regulação da prática farmacêutica em novas áreas.

Uma profissão entre experiência e renovação

Organizada pela Secção Regional do Norte da Ordem dos Farmacêuticos, a celebração do Dia Nacional do Farmacêutico colocou no mesmo palco profissionais com cinco décadas de carreira e jovens que agora iniciam o seu percurso, sem esquecer aqueles que contribuíram para construir e afirmar a profissão.

Entre a memória e os desafios que se colocam ao setor, ficou também uma ideia defendida por Félix Carvalho ao longo da sua intervenção: o reconhecimento do papel dos farmacêuticos deve ser acompanhado por condições que lhes permitam colocar plenamente o conhecimento e as competências ao serviço das pessoas.

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